IBV Auto · Julho 2026

Elétricos Usados Julho 2026: pela primeira vez o elétrico para de piorar (e é a combustão que acelera a perda)

Publicado em 6 de agosto de 2026·Fonte: Banco BV (IBV Auto) + análise PlacaCompleta

Desde que começamos a acompanhar o mercado de elétricos usados, a história foi sempre a mesma: elétrico desvaloriza muito mais que combustão, e piora todo mês. Os dados do IBV Auto de julho de 2026 trazem, pela primeira vez, uma virada nessa narrativa. O elétrico usado parou de piorar — e quem passou a acelerar a perda de valor foi o carro a combustão. A distância entre as duas propulsões, que só aumentava, começou a encolher. Não porque o elétrico se recuperou, mas porque a combustão finalmente começou a devolver o valor que tinha segurado.

O panorama de julho: elétrico estável, combustão piorando

A foto agregada do Banco BV em julho de 2026, por ano-modelo:

  • Modelos 2023: Elétricos -46,1% | Híbridos -26,8% | Combustão -21,4%
  • Modelos 2022: Elétricos -50,1% | Híbridos -18,9% | Combustão -15,6%
  • Modelos 2021: Híbridos -14,6% | Combustão -4,5%

O que muda em relação a junho é o vetor, não o patamar. Nos modelos 2023, o elétrico ficou praticamente parado (estava -46,1% em junho, segue -46,1%), enquanto o combustão piorou de -19,6% para -21,4%, quase 2 pontos de perda em um único mês. Nos modelos 2022, o elétrico até melhorou de leve (de -50,5% para -50,1%) e o combustão de novo piorou (de -13,2% para -15,6%). O híbrido, no meio, seguiu estável ou recuperando.

É a primeira vez que vemos esse padrão: as três categorias convergindo, com o elétrico parando de cair e o combustão indo buscá-lo.

Gráfico de barras comparando a desvalorização acumulada de elétricos, híbridos e combustão para os modelos 2022 e 2023 até julho de 2026
Elétrico usado ainda perde cerca de 2x mais que o combustão equivalente, mas em julho a distância parou de crescer. Fonte dos dados: Banco BV. Gráfico: PlacaCompleta.

Por que a combustão começou a cair mais rápido

A explicação mais provável é de mercado, não de tecnologia. Ao longo de 2024 e 2025, o combustão usado se manteve caro porque o zero-km ficou escasso e careiro: quem não achava carro novo migrava para o seminovo a combustão e segurava o preço dele. Em 2026, com a oferta de zero-km normalizando e o próprio índice geral desacelerando (o IBV de julho subiu só +0,07%), essa demanda represada afrouxou. O combustão, que estava artificialmente firme, começou a corrigir.

O elétrico, por outro lado, já havia feito a maior parte do estrago. Depois de perder perto de metade do valor em 3 anos, chegou num piso onde o desconto já é grande o bastante para atrair comprador. É o comportamento típico de um ativo que despencou: em algum momento fica barato demais para continuar caindo.

A janela de compra do elétrico usado ficou ainda melhor

Para quem quer comprar, o quadro de julho reforça a tese que defendemos desde o início: é a melhor janela do mercado brasileiro de elétricos. Um modelo 2022 que perdeu 50% do valor de tabela custa hoje metade do que custou zero, e agora com um agravante favorável ao comprador: o preço parou de cair, então o risco de comprar hoje e ver desvalorizar amanhã diminuiu.

As recomendações práticas seguem valendo:

  1. Auditar a bateria antes de fechar. Estado de saúde (SoH) abaixo de 85% é sinal amarelo. Concessionárias autorizadas fazem o teste por custo baixo.
  2. Confirmar a garantia de bateria. Boa parte das marcas dá 8 anos; um carro de 2-3 anos ainda tem folga grande de cobertura. Verifique se transfere para o segundo dono.
  3. Preferir modelos com plataforma compartilhada com uma versão a combustão (peças e manutenção mais acessíveis).
  4. Contar o seguro na conta. O prêmio de um elétrico costuma ser mais alto que o de um combustão equivalente por causa do custo de reparo da bateria. Veja nossas estimativas de seguro de carro elétrico por estado antes de decidir; o valor muda bastante conforme a UF.

Vendendo elétrico usado: a urgência afrouxou (um pouco)

Este é o primeiro mês em que não repetimos o velho conselho de "venda o quanto antes, a qualquer custo". Com o preço do elétrico estabilizando, a pressão de perder valor a cada 30 dias diminuiu. Isso não significa que voltou a valorizar — significa que a sangria mensal parou. Se você tem um elétrico 2022 ou 2023, dá para respirar e escolher melhor o momento e o comprador, em vez de aceitar a primeira oferta com medo da próxima queda.

A ressalva: o patamar de perda continua alto (perto de -50% para a safra 2022). Estabilizar em -50% não é bom, é apenas menos ruim do que continuar caindo. E o vetor pode mudar de novo se a BYD, a GWM e a Chery retomarem a guerra de preços no zero-km, o que arrastaria a média do usado para baixo outra vez.

O que esperar dos próximos meses

Nossa leitura para os próximos 90 dias: o elétrico deve seguir estável ou cair muito de leve, e o combustão deve continuar corrigindo enquanto o mercado geral desacelera. Se esse movimento se mantiver, a distância entre as duas propulsões vai continuar encolhendo — não porque o elétrico virou bom negócio de revenda, mas porque a combustão perdeu o prêmio de escassez que a segurava. Para o comprador de elétrico, é a confirmação de que dá para agir com mais calma. Para uma leitura do mercado inteiro, veja a análise completa do IBV Auto de julho.

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